outra nota
Eu já não me reconheço sem a tristeza. Estou a tantos anos deprimido que nada me chega sem ser contaminado por essa impressão. Mas o mais difícil é administrar as consequências disso, mais para os outros que para mim. Digo, se bem medicado não sofro, mas aos olhos de alguns amigos pareço a beira do precipício, e me dói ver culpa nos olhos da minha mãe, minha grande heroína. Muitos reclamam que uso minha inteligência para justificar minha depressão, mas é sabido que justificar coisas é a defesa do cérebro humano para suportar coisas e não posso ser culpado por não precisar de deus, deuses ou rodas de oração. Eu tenho o que eu preciso, as vezes não sinto isso, mas racionalmente eu sempre vou saber. E é razão que me protege, é quem me fez crescer até aqui contra as estatísticas. O mundo me pesaria cem vezes mais se eu não soubesse como é. Eu abraço a minha cachorra e sigo vivendo em paz, ainda que o caos seja um cotidiano que eu tenha que lidar. Para o bem ou para o mal, o caos também faz parte. De mim e do mundo.
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