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uma reflexão a qual não fui convidado

Ergui a cabeça sobre um muro e espiei do outro lado. Havia um cachorro gordo, feliz brincando com um osso de brinquedo. Uma senhora tomava café com um garoto, talvez seu neto. Umas cinco ou seis árvoes frutíferas, algumas flores no que um dia deve ter sido uma espécie de jardim no quintal. Senti um cheiro bom de algo que assava mas não pude ver o que era. De repente um pássaro verde numa gaiola se deu conta da minha curiosidade e gritou. Saí dali apressado antes que minha inconveniência se tornasse pública. Minha curiosidade é infantil. É que todo muro esconde algo que se repete em muitos outros quintais, o que muda são os atores. Cores, gêneros, idades, medos, crenças, doenças, transtornos, se leram ou não algum livro ou se preferem chá ao invés de café com leite. De certa forma, o único é um acaso generalizado. É isso que torna tão parecidos esses símios pelados diferentes demais entre si mesmos. Voltarei a espiar.

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