ode ao absurdo de uma coquinha gelada
Quanto medo até deixar fluir o sentimento de simplesmente existir sem estar refém do olhar moralizante de estranhos? Quanta autorepulsa até se permitir sorrir independente de gordo, magro, forte, doente ou perfeitamente são? Ninguém precisa ser Cristo, Buda, Maria ou Joana D'Arc. É preciso ser gente, ter medos, dentes trincados, excesso de pele, desejo, medo, horror, tesão, felicidade e gozo, mas sem enfeites, sem teatros abstratos enfadonhos sobre estados constantes infinitos numa existência que é finita. Eu quero a vida extraída dos acasos, dura quase como minério escavado em terra pesada, leve como pena de pássaro e folha voando ao vento, simples como uma criança procurando seu chocalho em forma de telefone. Eu quero a vida crua, punjante, solitária ora acompanhada, sem glitter ou corpse paint, mas cheia de paz verdadeira, de teatros possíveis nesse palco de solidão e desespero que chamamos capital. Eu quero dormir com a mente limpa, desejar a todos aquilo que não me...
