esquecimento / sem adivinhação

Invejo os esquecidos, e nos momentos em que sou um deles sinto até satisfação. É bom não lembrar todos os rostos, nomes, promessas, medos, fetiches, sonhos. As vezes esquecer é o melhor possível, tanto porque quem não lembra não sofre quanto pela chance de sentir como novidade algo que já sentiu e se esqueceu. Não sei se gostaria de ser esquecido - pelo menos não pelas pessoas que amo, mas se não existo mais na memória de quem fiz algum mal, então não significou tanto assim. E é bom quando não significa, é que às vezes as coisas significam mais do que deveriam e isso só traz sofrimento. Esqueço o trauma, tomo mais um café e posso sorrir com a história sobre a filha de uma amiga feliz com o razante dos pássaros. É mais gostoso viver assim, esquecido, esquisito.

Nota: Sonhei mil vezes com uma mulher que nunca conheci, muito provavelmente inventei e virou lembrança, essas coisas de maluco. Um dia resolvi chamá-la de Laura e nunca mais apareceu no meu sonhar. Existem vezes em que o que falta ao que nos assombra é só um nome. E nomeado se desfaz. Chamo isso de magia.

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