sobre não saber ser gente
Não sei ser gente como se espera que uma gente seja. Sou áspero, gero desconforto até sem intenção e poucos laços não se quebram quando meus punhos estão em riste. É que nesta luta constante contra Deus não resta muito a não ser poder ser quem se é, e seguirei sendo. Não vou pedir desculpas por ter espinhos e eles perfurarem quem me abraça sem cautela. Não escondo do mundo quem sou mas escondo o que for necessário para evitar drama e sofrimento. Não quero viver de discussões, grandes promessas, resolver desacertos, eu supero tudo em silêncio e invisto no que enxergo adiante das dores, ainda que seja pouco. Não há meio amor, é um ou zero. Não há meia dor, são quase sempre seis. Mas viver vale a pena quando se encontra um espaço seguro entre uma flechada e outra desses arqueiros que nunca descansam. Enfrento o risco em paz. Carrego esse sorriso enlouquecido e besta, e é ele quem posso lhes oferecer.
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