uma prescrição de liberdade para meus velhos parafusos soltos


Queria viver numa caverna escura, decorada com lâmpadas de cor quente, imagens de santos e demônios, muitos livros, quadros com meus desenhos e alguns ossos retirados dos esqueletos de meus inimigos mortos. Queria viver em um silêncio afrodisíaco onde vozes humanas em loucura vindas do exterior não ecoem em minha mente me levando ao surto.
Queria nunca mais perder o controle, não acertar a parede com a cabeça para poder ter outra coisa para sentir além do desespero. Queria estar só com as companhias que me mantém em paz, contente com saber que existo sob minhas próprias regras ainda que a vida seja desprovida de sentido e majoritariamente sofrimento, inventando felicidade.
Esse caos que jogam sobre mim vem atrapalhando o barulho sutil das minhas gargalhadas. E o sono das minhas cachorras. E a calmaria com que domei meus demônios pessoais. Viver arde.

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