viagem interior e outras bobagens

Aprendi em um samba que toda chegada é também uma partida, e de certa forma cada escolha na vida é também uma renúncia. A bem da verdade, bem mais que uma. Quando eu escolho um livro deixo os outros de lado e sequer posso conhecer todos os outros que talvez gostaria, ou não. Chamamos essa renúncia de interesse. E quando a gente decide escolher o que fazemos é uma aposta, afinal, viver não é ciência exata, então por maior que seja a segurança, arrependimento, sofrimento e frustração são sempre possibilidades. Como não ter medo? Não sei, o que posso dizer é que o medo tem importante função de sobrevivência, enfim. Eu nunca fui muito obediente, menos ainda ambicioso, não sei se por culpa do autismo, das oportunidades poucas ou das obras de Henry David Thoreau. Verdade é que por anos amaldiçoei a inteligência, mas hoje sou grato ao acaso do evolucionismo pois foi ela quem me permitiu sobreviver. Seja extraindo verdades pessoais dos livros, seja observando o mundo e correndo atrás de compreender como funciona. Sim, renunciei muitas coisas para ter paz, sigo renunciando, mas pior que colecionar arrependimentos é não escolher coisa alguma. E não, não, não sou e nem quero ser esse tipo de ser humano que apenas espera prostrado de joelhos. No fim das contas, Deus é só outro nome para persistência.

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