nós nos outros e vice e versa


O diabo é minha face numa garrafa, uma inversão de propósito e ônus, um relógio tímido e condenatório, algo que vem de dentro, porém aprisiona. Talvez por isso nunca tenha sido próximo de Deus. Deus é soberano, vem de fora para dentro, exige devoção ainda que ninguém tenha visto ou tido algo digno de tal. O diabo é eu e deus são os outros. Os outros que maltratam, são injustos, queimam reputação e livros. Mas as vezes nós somos outros, nós somos deus. Exigindo coisas e pisoteando o que nos dão sem sequer oferecer algo em troca, um café, que seja. No fim das contas, é o diabo quem nos salva de manter tudo em chamas. É o diabo quem nos aprisiona em nós mesmos, digo, a parte ruim de todos nós, que quando sai, com toda certeza foi deus. É em nome dele que a gente propaga a destruição, o diabo é só o bode expiatório. Literalmente o bode.

Comentários

Postagens mais visitadas