filho de mãe
Não somos tábulas rasas. O conhecimento infinito não pode ser uma possibilidade geral. Lembro menino de olhar em euforia as figuras de animais nos livros didáticos de biologia que minha mãe mantinha em casa. Lembro de acompanhá-la nas aulas do ensino médio. Das perguntas intermináveis que ela sempre tentou me dar uma resposta. E essas são memórias poucas, fragmentos avulos mas ainda tão presentes quanto o café que tomo agora. Nada do que sou é aleatório, nem toda a persistência na vida baseada em teimosia é mérito ou tragédia puramente minhas. Foi tudo escrito na biologia. Por isso olho minha mãe e vejo mais de mim do que em mim mesmo a depender do dia. E é esse o elo mais forte no que se entende por família, não é a consanguinidade, a gestação, mas a capacidade de entender todas essas coisas dentro de um contexto simbólico a qual chamamos amor. E se reconhecer no outro, mais que apontar semelhanças genéticas é entender o papel que todas elas exercem nas nossas expectativas de mundo. Eu não quero ser mais que minha Mãe, alguém que nunca desistiu de tentar e mudar diante da necessidade. Alguém que atribui sentido em simplesmente ser. O que for consequência me basta, e se não bastar, invento outra coisa para chamar de conquista.

Comentários
Postar um comentário