o deus num pedaço de pão ou almofada
as vezes converso com deus, sua voz é rouca, ele é gordo e mora ali ao lado de matozinhos, numa fazenda. deus gosta de contar causos, a maioria tragédias, coisas com água, filho rebelde e não conseguir parar de sentir raiva. deus é amor? isso eu entendo. diz ele que não consegue dormir, que essas formigas arrogantes gastam suas noites com preces diversas e não conseguem fazer as mínimas coisas sozinhas. reclama que em todo feriado as formigas jogam rojões em sua face e talvez por isso deus não tenha bigode. e que falta faz um bom bigode. então nem mesmo ele está livre da falta. então daqui de baixo, eu, formiga arrogante, tento me virar fazendo as coisas sozinho, ouvindo música no volume adequado, não ficar de joelhos feito estátua virada para o céu. quase sempre fracasso. mesmo assim gosto de pensar. deve ser horrível ser deus. com uma criação que não é mais que uma culpa. deus fez-se o verbo? em minha consciência, pobre de mim, da minha consciência eu sou o deus. e tragédia pior não haveria. assim eu rezo, sigo sem rezar.

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