montesclarense



Lembro com clareza do número 142, apartamento 102 na rua Bezerra de Menezes, bairro São José, Montes Claros-MG. E lembro a temperatura do piso de tacos, o som do vento passando pela janela, as pessoas que recebia, a solidão, a sensação de inaptidão e fracasso constantes, o desespero em conseguir um sorriso honesto, Lorena dormindo ou cantando pela sala. Para um menino do mato como eu, enfrentar tudo aquilo foi doloroso e triste, mas um aprendizado necessário para poder operar no mundo. Foi graças a isso que conheci pessoas maravilhosas, que testei e conheci meus limites, que aprendi a aceitar ajuda, que conheci amor e também o peso da rejeição. E principalmente, aprendi que gosto demais de pensar muito e pensar muito sobre tudo. E que gosto ainda mais de me lembrar os motivos que me fizeram pensar tanto. Tornei-me montesclarense por força da circunstância e isso dificilmente vai sair de mim pois se tornou faca encravada em quem sou.

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