sobre como certos aspectos da vida funcionam

 


A maioria das pessoas que vieram da mesma classe social e com origem parecida com a minha nunca tiveram opção, sempre fizemos o que podia e qualquer planejamento é mero paliativo. A gente tem que se virar, se quebrar tem que consertar, tem que fazer o que aparecer e por isso a religião ainda é necessária, a maioria das pessoas não consegue inventar um propósito e precisam de um pré-fabricado que anestesie um pouco essa realidade da circunstância. Nunca tive essa sorte (ou seria azar?), não acredito em nada e nem mesmo nisso fui cognitivamente capaz de me apegar. Até me tornei um bom “inventador” com esse negócio de sentido, mas ter propósito não altera a realidade material do acaso. Por mais que estude, por mais que tente, por mais que faça, por mais que queira e por mais que realize, existe eu e a circunstância que faz com que no final de tudo, fiz o que pude, comi o que tinha, aprendi o que dava, vivi o que deu. Justamente por isso brinco tanto com as cachorras, olho tanto para o céu e fotografo tantas nuvens e pássaros, são as únicas coisas que escolhi fazer e que não me foram delimitadas como única opção.

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